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Quimeras e Utopias

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Trump: uma lata de gasolina e um fósforo

Lido por aí: «Ela era corrupta, tem responsabilidades pela criação e financiamento do DAESH, ela e o seu partido têm culpa no cartório na guerra e no caos instalados em países como a Síria, Líbia e Iraque, ela é mais do mesmo; Votar nele é cortar com o sistema estabelecido, é uma forma do povo americano dar um puxão de orelhas ao poder corrupto em vigor; é um expressivo fuck the sistem. O senhor lidera companhias várias com milhares de empregados, é um caso de sucesso empresarial, quem melhor para liderar os destinos de um país do que alguém com tamanha capacidade de gestão, alguém que diz realmente o que pensa?!»

 

Tudo isto pode (e talvez seja) fundamentalmente verdade. Talvez o mundo não corra qualquer perigo com esta eleição surpreendente. Talvez o homem consiga to make America great again.

 

O que fica desta eleição não é a potencialidade de uma terceira guerra mundial, do uso de armas nucleares, mas algo de potencialmente mais perigoso, mais inflamável. O mundo estará a salvo, mas os estadunidenses estarão?

 

Quando alguém como Trump, com o discurso de Trump, com laivos racistas, xenófobos, machistas, homofóbicos, ganha as eleições, todo o seu discurso inflamatório acaba legitimado por aquela vitória.

 

O racismo, a xenofobia, a descriminação religiosa, a misoginia, saíram destas eleições como comportamentos aceitáveis.

 

Agora imaginem o que poderá acontecer quando este tipo de comportamentos se tornam admissíveis (pois se o presidente os tem, os proclama com orgulho), imaginem o que sucederá numa sociedade multicultural, multirracial, de extrema diversidade intelectual, supostamente evoluída no que à emancipação feminina diz respeito, às orientações sexuais dos seus cidadãos? Quais serão os reflexos sociais destes comportamentos agora legitimados?

 

Cisões. Conflitos. Agressões. Bastará um fósforo e uma lata de gasolina.

 

2 comentários

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    Sónia Pereira 09.11.2016

    André, obrigada pelo comentário.
    Uma coisa serão os votos, as pessoas que, pelas mais variadas razões, decidiram votar em Trump, outra coisa será o efeito a médio e longo prazo que aquele tipo de discurso (que facilmente se replica em parte dos seus apoiantes) pode ter a nível social.
    Quanto ao politicamente correto, não me parece admissível que as pessoas profiram todas as barbaridades que lhes passem pela cabeça e muito menos será admissível se essa pessoa pretende governar um país com milhões de habitantes. Isso só revela muito pouco bom senso, muita falta de noção da diversidade de pessoas que compõem o eleitorado. Não digo que as pessoas se devam sentir manietadas pelo politicamente correto, mas aquilo que se chama politicamente correto é o reflexo do avançar dos tempos: respeito pela diversidade, respeito pelos outros, suas opiniões, suas diferentes maneiras de ser.
    Dito isto, não acho que ele seja perigoso a nível externo, mas acredito que, a não ser que o discurso dele mude radicalmente nós próximos dias, a sua eleição possa ter graves consequências a nível de cisões na sociedade americana.
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