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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Festa de aniversário

Na véspera, roí as unhas. Há meses que a minha compulsão estava controlada, mas na véspera não me contive e destruí-as todas à dentada e ao rasgão. Assim, o dia de aniversário começou com dores agudas, pontadas de dor nos dedos mutilados na véspera.


Nunca achei grande graça aos festejos de aniversário. São como uma espécie de aviso à passagem do tempo de uma vida que segue à deriva, sem obedecer às ordens e projetos do navegador. Relembrar o naufrágio em curso nunca me pareceu grande motivo de festa.


Este ano não foi diferente. O meu dia de anos passou com um certo travo depressivo, uma inação motivada por uma antecipada crise dos quarenta, uma espécie de olhar de cima, de forma indolente e impotente, para o caos generalizado em terra.


Mas não há mágoa que uns belos copos de espumante não afoguem e de dedos doridos segurando o copo cheio, último suspiro de uma garrafa já vazia, pensei, numa tirada pouco poética, ordinária, mas altamente sincera: que se foda!

 

 

 

A música, essa, é um desvaneio pouco meu, mas viciante. A velhice dá-me para isto.

2 comentários

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    Sónia Pereira 16.09.2017


    Obrigada. :)
    O maior descalabro deste dia foi mesmo as unhas desgraçadas. Sucumbi novamente ao vício depois de longos meses de abstinência.
    Quanto às festas de aniversário, não sou lá grande apreciadora de festas no geral, mas as de aniversário realmente deixam-me deprimida. O tempo passa, esgota-se, a pessoa vê que não segue certos sonhos, projetos de vida. Não há qualquer motivo para festejos...
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