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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

«Comungar» com a natureza

Cá por casa, somos apreciadores de fazer uns passeios de fim de semana pelas belezas naturais da região. As serras que nos circundam têm muito para explorar e nunca deixam de surpreender a cada nova visita, pois cada estação do ano pinta a paisagem com diferentes cores, chegam-nos diferentes cheiros, como se cada visita fosse a primeira.

 

Neste último fim de semana, que para nós foi prolongado, aproveitamos o bom tempo de segunda-feira para ir explorar a Serra de S. Macário. Pertencente ao concelho de S. Pedro do Sul, esta serra é de uma enorme beleza natural, pelas suas características geológicas, pelas pequenas aldeias perdidas na serra, vazias ou na eminência disso.

 

Mas neste post não pretendo falar do passeio à serra. Amanhã logo aqui colocarei algumas fotografias em jeito de reportagem do passeio. Neste post, pretendo apenas referir o pequeno incidente de comunhão com a natureza. 

 

Parámos a caminho da topo da serra para apreciar as vistas. Há já um bom bocado que não nos cruzávamos com nenhum outro carro. A serra parecia só nossa. Já estávamos longe das últimas povoações antes da subida e não se via vivalma, não se ouvia qualquer barulho, a não ser o frenesim de alguns pássaros e as nossas conversas de família.

 

Comecei a ficar com uma vontade extrema de urinar. Parece que, quando temos a perceção que não há nenhuma casa de banho próxima, a situação ainda se agudiza mais. É uma mistura explosiva entre a necessidade física e a pressão psicológica. 

 

O meu marido logo me incentivou a urinar atrás de uns arbustos rasteiros na beira da estrada. Não havia mal nenhum, era só um xixi, e além disso não se via ninguém que pudesse assistir à minha triste figura de «comunhão com a natureza». Não sou grande amante de urinar na natureza. Nesse setor, sou uma perfeita comodista. Mas quando a vontade aperta e por perto não há salvação possível, lá tem de ser.

 

Baixei-me atrás do arbusto, mas muito mal camuflada, pois a vegetação era rasteira, e lá comecei a aliviar-me. 

 

Pois... bastaram umas quantas pinguitas, para logo começar a ouvir um carro em aproximação. Para ali fiquei, de cócoras, de calças baixas, a rir que nem uma perdida, entre a vergonha e o meu sentido de oportunidade (ou falta dele) que me causava gargalhadas. Era um carro cheio de gente, com cinco passageiros, todos eles testemunhas da minha comunhão com a natureza. E logo ali, de enfiada, depois de mais de meia hora sem um único veículo à vista, passaram mais dois ou três carros. 

 

À memória veio de imediato este sketch da série belga «E se?». Não encontrei com legendas, mas dá para perceber. Quando estamos de calças na mão, não faltam espectadores para a nossa «desgraça». :)

 

 

 

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