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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Bichos do meu quintal — terapia da abstração

Numa tentativa de abstração da «realidade lá fora», penso na natureza e nas suas mutações cíclicas, na ingenuidade das estações sobre os atos dos homens e suas repercussões, na simplicidade de ser pássaro ou ser planta.

 

Vivo numa zona rural, junto ao rio, o que gera uma convivência, mesmo que imposta, com toda a espécie de bicho. O pavor de insetos ou repteis, que algumas pessoas têm como fobia, seria coisa difícil de gerir no local onde vivo. No meu quintal e mesmo dentro de casa, estaciona todo o tipo de animal. Aranhas (algumas com um tamanho respeitável/assustador), centopeias (bicho que cisma que dentro de casa se está melhor do que lá fora), grilos, gafanhotos, caracóis, lesmas (no inverno, são mais que as mães), libelinhas, louva-a-deus, bicho-pau, pirilampos, lagartixas (muitas, centenas), lagartos, sapos e cobras.

gafanhoto.jpg

 

Pelo ar, esvoaçam melros palradores, gaios, gralhas chatas nas suas conversas estridentes, corvos, pardais, guarda-rios e, usando os galhos das árvores da beira do rio como pouso, duas garças. Estas últimas, chegam pela manhã, fazendo um voo baixo junto à água, fazendo-se anunciar com uns quantos grasnados. Finjo que me cumprimentam e respondo-lhes às saudações matutinas.

garça.jpg

 

Um dos habituais residentes do meu quintal era um sapo imponente. Viveu por aqui durante anos até ao verão passado. Desapareceu misteriosamente depois da visita de uma longa cobra de pele exuberante. Ter-lhe-á servido de refeição? Só a visitante fugidia poderá confirmar, mas é possível.

sapo.jpg

 

A exuberância da natureza nas suas diversas expressões ofusca por instantes a urgência do «caos lá fora». E só assim será possível conservar uma réstia de sanidade, coisa boa de se ter por esta altura.

 

Nota: Todas as fotografias são minhas.

5 comentários

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    Sónia Pereira 21.12.2016 12:57

    É verdade. Para mim é mesmo a minha âncora a uma certa sanidade mental. Sem isto, sem esta regeneração da natureza, acho que, por vezes, cederia à força da depressão.
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    Malik 21.12.2016 13:04

    Acredito!
    Há uma coisa que quero fazer este verão: caminhar descalço em relva acabada de regar... parece maluquice...
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    Sónia Pereira 21.12.2016 13:16

    Não parece maluquice. Uma das experiências mais intensas que tive foi andar à chuva e deixar-me encharcar por completo. Saía da escola, começou a chover torrencialmente, não tinha guarda-chuva e tive o impulso de não me resguardar e deixar-me molhar. Caminhei como se nada fosse e cheguei a casa encharcada até aos ossos. Mas só a recordação daquela tarde me faz sorrir. Há algo de libertador nessa comunhão com a natureza.
    Quanto aos pés na relva molhada, aí está uma experiência frequente aqui em casa. Regar a relva com uma criança por perto acaba sempre em banho e pés descalços no relvado. :)
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    Malik 21.12.2016 13:23

    Sim, também já vivi essa da chuva. Foi muito bom!
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