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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Vou para não ficar (excerto VIII)

Um rol de emoções, ecos do passado, murmúrios do futuro em quatro mãos que se tocavam, em dois olhares que se fitavam mutuamente. Numa sincronia perfeita que poderia ser atestada se o momento tivesse sido gravado e pudesse ser revisto, uma e outra vez, fotograma a fotograma, segundo a segundo, os dois levantaram-se ao mesmo tempo, num movimento brusco, irremediavelmente sugados um pelo outro. Duas células a unirem-se num procedimento natural. Beijaram-se, agarraram-se com violência. Treparam à mesa, ignorando pratos, talheres e a panela. Duas respirações alteradas que rugiam em uníssono uniam-se numa conversa urgente. Um talher caiu no chão da cozinha tilintando, uma das cadeiras tombou para trás com estrondo. Salvador despiu a camisola azul de Alexander. Beijou-lhe o queixo, o pescoço, o peito, um e outro mamilo. Ajoelhados em cima da mesa, de olhos fechados, numa abstração de espaço e tempo, Alexander sentia o toque da boca de Salvador em cada parte do seu corpo e sobressaltava-se a cada novo pousar de lábios. Pousou-lhe as mãos na cabeça, embrenhando-as no cabelo escuro cortado curto. Ele beijou-lhe o umbigo. Sentiu a ponta da língua a introduzir-se na cavidade e as lágrimas simplesmente assomaram-lhe aos olhos. Corriam em torrente pelas faces, pingando para o torso, escorrendo peito abaixo. Abriu os olhos. A evidência, aquilo que se procura uma vida inteira, o motor acelerador da existência, estava ali. À mão de semear.
 

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