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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Campos semeados de cartazes eleitorais

Aqui na minha rua, os últimos meses foram de obras: limpeza e pinturas de muros de proteção e pintura da sinalização no asfalto. Depois de meses (anos) em que tal obra já merecia (urgia) ser feita, pensei para mim que as eleições sempre serviam para alguma coisa. Para bem da terra, era bom era haver eleições de ano a ano, mais não fosse para que estas pequenas coisas não fossem guardadas para serem feitas dois meses antes das eleições. Era garantido que as obras andavam sempre a bom ritmo.


Mas depois lembrei-me dos cartazes. Não!! Não aguentaria tal suplício anual. É coisa normal haver cartazes eleitorais semeados por todo o lado em alturas de eleições, mas este ano, na minha santa terrinha, isto atingiu níveis endémicos. O raio dos cartazes parece que se reproduzem durante a noite, criam metáteses em locais improváveis. Se um dos partidos parece contido, apostando numa quantidade de cartazes aproximada à das eleições anteriores, outros dois partidos estão «on fire». De tanto ver as caras dos candidatos a fitarem-me a cada esquina, em cada rua, em cada beco, temo ter pesadelos com eles durante a noite. Como alívio desta tormenta visual (claramente excessiva e perturbadora da paisagem), chegam as alcunhas engraçadas que o meu filho arranjou para cada um daqueles rostos sorridentes e profissionais que nos perseguem diariamente no percurso para a escola (cara de fraldinha, cara de bebé, por exemplo).


É que se ao menos por aqui houvesse uns cartazes cómicos, estranhos, com frases deslocadas, ainda dava para uma pessoa se divertir, mas nada. Pelas minhas bandas ficaram-se pelas fotografias insípidas do costume e pelas frases feitas sem nada de memorável.


Resta-me largar umas gargalhadas com alguns dos exemplos que apanhei pela net de cartazes autárquicos deste nosso Portugal. É que há de tudo: falta de noção, erros ortográficos, piadas com os nomes das localidades que saem completamente ao lado e coisas de tão estranhas, chegam a roçar o assustador.

 

Piadas com um inexplicável teor fálico/sexual:

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Erros ortográficos grosseiros:

 

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Jogos de palavras parvos:

 

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Cartazes em que o nome da terra ou do candidato (advertida ou inadvertidamente) atrapalha:

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E aqueles cartazes em que passa a sensação que o pessoal devia estar a fumar umas cenas estranhas quando achou que aquilo seria uma boa ideia. São os chamados cartazes WTF. 

 

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Dois dos muitos cartazes do «podes chamar-me Salomé». 

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???

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Um político que não deixa cair o estereótipo de político em saco roto. Começa a quebrar as promessas de campanha logo na campanha eleitoral. Assim dá gosto ver.

 

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Não é um cartaz, mas é uma ação de campanha. Fiquei entre o riso e o choro. :)

 

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Faço minhas as palavras do Olimpo. Tanto cartaz?! Chiça, porra que é demais.

A importância de se chamar […]

É sabido que uma parte dos escritores, portugueses e não só, usam pseudónimos, substituindo o seu nome do registo civil por um qualquer nome de sua escolha. As razões da mudança podem ser várias, da mais elementar: troca por um nome que seja mais «apelativo» e diferenciador; às mais complexas: criação de uma persona, de um alter-ego, ocultação da verdadeira identidade do escritor.

 

Neste campo dos pseudónimos, há aqueles escritores que tentam «entrar a matar» e optam por um qualquer nome que, de tão estranho, acabe por tornar a identificação do autor memorável. O «drama» terá começado com o Valter Hugo Mãe, mas mais recentemente a fasquia dos pseudónimos elevou-se (e de que maneira).

 

Primeiro dei de caras com o António Deus-Rosto, depois veio o jovem escritor Raul Minh’alma e ontem encontrei na internet o Afonso Noite-Luar.

 

Assim, para não matarem muito a cabeça, deixo aqui algumas sugestões de pseudónimos aos jovens escritores que estejam a pensar em entrar em grande no meio editorial. Estes nomes, juro, não deixarão ninguém ficar mal:

 

— Francisco Tu’almofada;

— Gertrudes Sol-Insolação;

— Manuel Caras de Bacalhau;

— Hugo Joel Primos em Terceiro Grau;

— Isabel Nuvens-Granizo;

— José Jesus-Tromba;

— António Alá-Face;

— João José Madrasta;

— Ivone Noss’almôndega.

O humor na luta

Se a expressão «Fora, Temer» é frase de ordem no Brasil da atualidade, palavras icónicas na luta contra o presidente, mostra de rejeição, demonstração de descontentamento, um funcionário de um cemitério resolveu inovar e, ao invés de mandar o presidente embora, resolveu convidá-lo a entrar. No cemitério, claro está.

E bastaram duas palavritas para eu soltar uma gargalhada. O humor, mesmo na luta, é sempre o melhor remédio.

 

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 Imagem retirada daqui.

 

Monty Python’s world

O funcionamento do mundo está cheio de detalhes bizarros camuflados, na maioria das vezes, pelas vestes da normalidade, da banalidade. Mas há certas bizarrias que, por mais maquiagem que se lhes ponha em cima, permanecem absurdamente bizarras aos olhos de quem as quiser ver. Dou por mim a murmurar palavrões ao ler certas notícias, a questionar a verosimilhança da realidade onde me insiro, a verdade deste meu agora.

 

Neste último domingo, a Arábia Saudita foi eleita para a Comissão para os Direitos das Mulheres da ONU. A eleição deste país para esta comissão é de tal forma aberrante que roça o absurdo, a comédia hilariante. É um pouco como eleger um pedófilo para a comissão dos direitos das crianças ou um traficante de droga para a comissão da luta contra o tráfico de estupefacientes. Arábia Saudita e Direitos das mulheres são um paradoxo, a antítese um do outro, o que torna esta eleição uma aberração pública, uma anedota.

 

Num país onde as mulheres são consideradas um subproduto humano, um ser subserviente do homem, onde não podem conduzir, onde não podem estudar, trabalhar e viajar sem autorização de um homem, votar em todas as eleições, a escolha deste país para uma comissão que pretende acabar exatamente com esse tipo de abominações no que concerne os direitos das mulheres é, acima de tudo, uma autêntica descredibilização da ONU, transformando um organismo que deveria ser de relevância, numa anedota.

 

Relembro ainda que este mesmo país foi reeleito no ano passado, em outubro de 2016, para o conselho de direitos humanos da ONU. O poder de determinadas nações (poder económico, estratégico, político) acaba por ter mais peso, ser mais relevante do que qualquer facto, do que a evidência das atrocidades cometidas. Num país onde os ateus são considerados terroristas (com penas equivalente àqueles que praticam terrorismo na verdadeira aceção do termo), os direitos humanos são como um tapete onde a Arábia Saudita limpa os pés.

 

Quando vemos as urgências do mundo e quando percebemos as estratégias adotadas por organismos que deveriam zelar pela resolução eficaz dessas urgências, percebemos que isto está tudo mesmo fodido (pardon my french).

 

No fundo, estamos todos metidos dentro de um filme dos Monty Python. Que o absurdo nos possa, pelo menos, parecer comédia. Se rirmos, não dói tanto.

 

 Monty Python - A vida de Brian (stoning scene)

Prazeres abençoados

Os senhores da Vista Alegre resolveram criar uma imagem da nossa senhora de Fátima com a finalidade de levar as fieis mais céticas a conseguir ver a luz e a sentir, nas suas próprias casas, uma experiência divina.

 

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Imagem retirada do site da Vista Alegre.

 

Pessoalmente, considero a escolha de materiais infeliz, mas sendo a Vista Alegre a empresa que é, conhecida pelo uso da cerâmica e vidro, seria ignorância minha esperar a preferência por um material como a borracha ou o látex. Cada um faz o que pode com aquilo que tem.

 

O preço também é um pouco abusivo. Mesmo tratando-se de uma quase garantia de uma experiência transcendente ao mais alto nível, já vi por aí coisas mais bem modeladas, com um aspeto mais apelativo e a um preço mais razoável. Mas o negócio é o negócio, independentemente das crenças envolvidas.

 

Por isso, aos interessados, aqui fica uma dica de uma compra abençoada.

Inovações criminais

Porque nem só de bustos pitorescos vive o homem e porque a cabecinha hoje (e nos últimos dias) não dá para mais, hoje decidi dedicar o meu post ao último grito no que diz respeito à inovação criminal.

 

Dentro do crime é possível enveredar por vários esquemas diferentes para tentar extorquir umas boas quantias aos mais incautos. O sequestro é uma das opções. Rapta-se determinada pessoa e exige-se aos seus entes queridos mais próximos um resgate astronómico para que a mesma seja libertada e possa regressar a casa (de preferência viva).

 

No entanto, um grupo criminoso da Sardenha resolveu dar um toque de inovação à opção criminosa do sequestro, porque há sempre espaço para inovar, mesmo que o negócio empreendedor em questão seja na área do crime.

 

Porquê raptar alguém vivo (que grande trabalheira, a pessoa resiste, grita, esperneia, tem de se lhe dar de comer e beber, etc.) se se pode raptar alguém morto?

 

Este inovador grupo criminoso da Sardenha pretendia raptar o corpo do falecido fundador da Ferrari, Enzo Ferrari, falecido em 1988 com 90 anos. O corpo repousa num jazigo da família num cemitério próximo das instalações da fábrica da Ferrari e a intenção do grupo era retirá-lo de lá de forma a pedir um resgate à família ou mesmo à própria empresa Ferrari. Infelizmente, os intentos criminosos do grupo saíram gorados porque a polícia de Nuoro, quando levava a cabo umas investigações relacionadas com o tráfico de armas, deparou-se com o plano inovador da quadrilha, frustrando assim os seus intentos de ganhar umas massas.

 

E digo infelizmente porque, mesmo tratando-se de um crime, é impossível não extrapolar para o filme que este crime seria se pudesse ter sido levado a cabo. Uma quadrilha a passear pela cidade com um caixão na parte de trás de uma carrinha, as movimentações para esconder o caixão, caixão escada a cima, caixão escada a baixo, o telefonema para a família:

 

«Temos o Enzo. Queremos 3 milhões para o soltar.»

e a família, perplexa, pergunta: «O Enzo, qual Enzo? Aquele que morreu há 29 anos?»

«Sim. Esse. Queremos marcar a entrega contra pagamento dos 3 milhões. Tragam 4 homens para carregar o Enzo».

«O Enzo não vale 3 milhões. Está morto há décadas. Podem ficar com ele.»

 

Em suma, a inovação e o empreendedorismo são sempre bem-vindos, seja em que ramo de atividade for, mais não seja para me fazer deambular pela casa, imaginando filmes policiais em que a vítima é um cadáver. Uma pessoa sempre tem de se entreter com alguma coisa.

 

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Enzo Ferrari. Fotografia retirada daqui.

Pais natais travestis

Como está aí a chegar a Páscoa e já começou o habitual bombardeamento achocolatado/amendoado nos supermercados, era tempo de me empenhar na aquisição dos típicos chocolates da quadra. Tinha de me antecipar antes que o meu filho se deixasse seduzir pelas carradas de ovos e coelhinhos de chocolate estrategicamente posicionadas em pirâmides atrativas logo à entrada dos supermercados.

 

Do fundo do armário ainda espreitavam três sobreviventes natalícios. Ora, como nada se perde e tudo se transforma, aqui vos apresento os meus pais natais travestis preparadinhos para a Páscoa.

 

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Trump e o humor

Quando Trump foi eleito escrevi um texto sobre o lado positivo dessa eleição, na tentativa de aplacar os meus medos — pela frente teríamos anos de pura animação, de humor desbragado e, ao fim ao cabo, havendo humor, até a caminhada para o cadafalso pode ser transformada numa barrigada de riso.

 

Se alguns espetadores destas eleições pensaram que aquela pessoa que se comportava como um doido lunático durante a campanha era apenas uma personagem, uma persona criada para cativar os descontentes, que a eleição traria aos olhos de todos um homem mais sensato, ponderado e menos histriónico, essas pessoas enganaram-se redondamente. Trump não perdeu tempo em dar material para os humoristas trabalharem. E, desde o primeiro dia após a vitória, o humor, a comédia não tem tido mãos a medir para carregar para a fornalha toda a lenha que lhe tem sido atirada.

 

Para alguns, o humor tem sido a mais importante arma de oposição às políticas de Trump, a melhor forma de expor as contradições dos seus atos e palavras. Todavia, para outros, fazer humor com algo tão sério, acarreta o risco da minimização, da normalização e, também, da saturação. É ainda uma forma de resistência passiva, sem qualquer retorno prático. A fixação na figura apalhaçada de Trump pode levar para segundo plano aquilo que será o mais importante, as suas políticas.

 

Sendo assim, será o humor a melhor forma de resistência ou será esse mesmo humor uma forma de habituação a uma realidade disruptiva e com contornos alucinados?

 

Não tenho uma resposta e talvez seja um pouco das duas coisas — resistência e assimilação.

 

Mas, fugindo a estas dúvidas incontornáveis, o certo é que o humor está a ser a arma de eleição, independentemente de ser a correta ou não. As audiências do programa Saturday Night Live dispararam no último mês, com os seus quadros humorísticos a disseminaram-se um pouco por todo o mundo. Os programas de Stephen Colbert, Trevor Noah, John Oliver expõem afincadamente as gralhas e absurdos diários de Trump e do seu staff e o segmento «a closer look» de Seth Meyers do Late Night Show tornou-se uma espécie de forma alternativa para perceber as notícias recentes sem ver um canal noticioso.

 

E no fundo, é um pouco como Trevor Noah explicou no Today Show — observar a realidade nos E.U.A. na atualidade é um pouco como estar a ver em primeira mão um asteroide em forma de pénis a aproximar-se da terra — há o pânico, o terror, mas há a inevitável galhofa causada pela forma do pedregulho que irá aniquilar toda a gente.

 

Saturday Night Live - Melissa McCarthy como Sean Spicer

 

Today Show com Trevor Noah

 

 Late Night com Seth Meyers

 

 

Leis gerais do entalanço cósmico

— Se saíres de casa com os minutos contados, acreditando que o tempo médio que normalmente levas a fazer o percurso entre sítio A e sítio B se aplicará naquele dia:

  • será a concentração nacional de papa-reformas e a tua rua será o ponto de partida,  
  • camiões de pedra afluirão à estrada para uma qualquer obra desconhecida, fazendo o percurso à tua frente nuns lentos 20 kms/h e em todas as retas, onde a ultrapassagem seria possível, virão carros de frente;
  • nos cruzamentos com ruas que julgavas serem sem saída ou que davam diretamente para um descampado (pois nunca antes de lá viste vir nenhuma viatura), virão dezenas de carros, como se de uma comitiva de um casamento se tratasse;
  • o teu vizinho de 93 anos, que milagrosamente conseguiu a renovação da carta de condução, sairá à rua no seu velho carro cheio de peluches e almofadas na chapeleira, conduzindo à tua frente nuns alucinados 15 kms/h, com travagens repentinas e mudanças de direção sem direito a sinalização luminosa, obrigando-te a manter uma distância de segurança e uma velocidade média reduzida/quase parada;
  • chegarás 25 minutos atrasado a teu destino.

 

— Se tiveres uma entrevista de emprego e não quiseres chegar atrasado, para não causar má impressão, sairás de casa acrescentando 10 minutos ao tempo que normalmente levas a fazer o percurso, mas nesse dia:

  • parecerá que todos os habitantes da terra foram abduzidos por extraterrestres (à exceção de ti), pois não encontrarás ninguém na estrada nem nos cruzamentos;
  • todos os semáforos estarão milagrosamente verdes, mesmo aquele que só está verde durante 10 segundos e que, nunca, mas nunca, na tua existência, conseguiste passar sem antes parar 1 minuto no vermelho;
  • encontrarás um lugar de estacionamento mesmo à porta do edifício onde vais à entrevista, como se ele lá estivesse reservado para ti;
  • chegarás 30 minutos antes da hora marcada e ficarás na sala de espera aguardando com ar de parvo (ainda estão dois candidatos à tua frente que tinham entrevista marcada para um horário antes do teu), e todo aquele desconforto acrescentará uma grande dose de nervos que se refletirão no teu desempenho na entrevista.

 

— Se mudares de fila de supermercado, porque a fila do lado parece estar a andar mais rápido do que a tua, quando estiveres com as compras já pousadas na passadeira:

  • será a hora da mudança da funcionária da caixa. Ela contará todo o dinheiro, fará contas e mais contas, enfiará notas em sacos e só depois virá a outra funcionária;
  • um dos clientes trará algum produto sem etiqueta e terá de se deslocar ao supermercado para procurar um produto semelhante, mas com código de barras,
  • um dos clientes, ao tentar fazer o pagamento, tentará usar uma dezena de cartões, mas nenhum deles funcionará;
  • a funcionária da caixa enganar-se-á passar um produto e terá de chamar a gerente de loja para corrigir o erro, mas a gerente estava na casa de banho e demora uns cinco minutos a aparecer;
  • o rolo de papel da máquina acabará, a funcionária não encontra nenhum novo na gaveta, terá de pedir ajuda a alguém para poder mudar o rolo;
  • ficarás a olhar para a fila que tinhas abandonado e que agora flui com rapidez. Todas as pessoas que antes estavam atrás de ti foram atendidas e tu juras para ti mesmo que nunca mais trocarás de fila de caixa.

 

— Se estiveres muito aflito para ir à casa de banho, todas as casas de banho do edifício (referentes ao teu género) estarão em manutenção. Acabas por decidir usar a casa de banho destinada a deficientes, pois acreditas que esta raramente é usada:

  •  serás surpreendido à saída por uma pessoa em cadeira de rodas esperando pacientemente. Essa pessoa lançar-te-á um forte olhar de repreensão por usares uma casa de banho que não te é destinada.

 

— Se a aflição for de origem intestinal, conseguirás encontrar uma casa de banho, terá a sanita entupida, mas a aflição é tanta que te sujeitarás a usá-la, deixando-a num estado ainda mais lastimável do que a tinhas encontrado,

  • mas não haverá papel higiênico e terás de usar (com grande contenção e habilidade) todos os lenços meio ranhosos que tinhas nos bolsos das calças.
  • e quando saíres, aliviado, serás confrontado por uma fila de pessoas que estarão à espera e que serão testemunhas da desgraça que lá deixaste. Ficarás extremamente embasbacado.

 

— Se estiveres a ler um livro que é um autêntico calhamaço, impresso com letra pequena, quase sem parágrafos e nem capítulos, deixarás cair o marcador e demorarás meia hora a encontrar a página onde estavas. Quando finalmente a encontras, o livro é tão pesado que te escapa da mão, sem que chegasses a ter tempo a enfiar lá dentro o marcador.

 

Nota: lista de leis cósmicas ainda em aberto.

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