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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Problemáticas de uma mãe

Enquanto mãe, uma das problemáticas que mais conflitos interiores me causa é a questão da educação. Que valores deverei transmitir ao meu filho? Os valores que para mim são fundamentais parecem estar em desuso: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti; o mais importante na vida é dormir de consciência tranquila; a tua integridade, a tua liberdade, o amor ao próximo e à natureza, a empatia pelos outros serão os teus cavalos de batalha.

 

No entanto, passar estes valores a um filho talvez seja um enorme erro. Queremos que eles sejam íntegros, mas também queremos que eles sejam felizes e para serem felizes quase necessariamente necessitarão de atingir sucesso. E até que ponto é que o sucesso, seja ele em que área for, se coaduna com a integridade?

 

Os exemplos que nos chegam diariamente gritam-nos que que a integridade é coisa de totós. Há muito que a moral e a ética forma substituídas pela legalidade e a legalidade rendeu-se a interesses vários, a legalidade tornou-se um labirinto ao serviço de alguns.

 

Maria Luís Albuquerque vai trabalhar para a gestora britânica Arrow mantendo funções de deputada e destas andanças apenas surgiu a pergunta da legalidade da coisa. É legal? Parece que sim, mas talvez pouco ético. Como ela, outros deputados, ex-ministros (da direita à esquerda) são convidados para ingressarem em empresas cujos interesses chocam com a antiga actividade política dos seus novos funcionários. E tudo isto é normal, aceitável, mas muito pouco íntegro.

 

Passando para a estratosfera internacional, o «nosso» Durão sai da Comissão Europeia, onde supostamente deveria zelar pelos interesses dos cidadãos que integram a UE, para ingressar os quadros da maior mercenária financeira da praça, um autêntico predador económico, a Goldman Sachs. E tudo isto se passa, como dizia o outro, com muita tranquilidade.

 

Numa diferente área, num fenómeno mais abafado, menos comentado, mas, a meu ver, mais degradante, Anders Kompass, antigo alto-funcionário da ONU demitiu-se depois de meses denunciando abusos dos capacetes azuis em territórios onde estes deveriam defender as pessoas e não violá-las, raptá-las, comprá-las para favores sexuais em troca de comida. Anders não aguentou a falta de integridade de uma organização que, informada dos abusos há meses, anos, nada fez, olhou para o lado e ainda o pressionou quando ele revelou para a imprensa relatórios internos que denunciavam esses atos atrozes.

 

O íntegro cai, é esquecido, posto para o lado, substituído por alguém que saiba jogar o jogo da corrupção, da falta de escrúpulos, do arrivismo pessoal.

 

Do íntegro não reza a história.

 

E assim, que digo ao meu filho? Que valores lhe transmitirei?

 

 

Durão barroso.jpg

 

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