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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

O drama, o horror, o flagelo das citações

Com a chegada das redes sociais, chegou um novo flagelo da humanidade: as frases motivacionais, as citações de autores ou personalidades conhecidas, frases certeiras de figuras históricas. Não há feed neste mundo que não tenha pelo meio uma boa dúzia de frases bem emolduradas por um fundo fofinho, tudo criado para nos dar alento, injetar confiança, provar um ponto de vista. Passamos a ser guiados na vida pelas sábias palavras de Freud, Einstein, Abraham Lincoln, Buda, Dalai Lama, Fernando Pessoa, Voltaire, Maquiavel, Shakespeare e muitos outros.

 

O problema começa quando o desgraçado do autor citado afinal não disse o que disse, não fez o que dizem que fez. E a partir deste ponto tudo é possível. Temos frases ditas por um e atribuídas a outro, temos frases que apareceram do nada e são atribuídas a uma figura histórica de relevo, temos uma mixórdia que mistura ficção e realidade de forma hilariante e temos, por último, a paródia, que brinca, através da citação, com a nossa crença em tudo o que lemos na internet.

 

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Isto não é uma citação, mas uma atribuição de ações a uma personalidade histórica. Mas nada bate certo — nome, imagem, factos. 

 

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Esta citação brinca com a credulidade das pessoas em tudo o que leem na internet.

 

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Voltaire nunca disse ou escreveu esta frase. A frase foi escrita por uma escritora inglesa numa biografia sobre o filósofo.

 

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Também esta goza com as falsas atribuições das citações na internet.

 

A inspiração para este post veio de um colega bloguista. Ele citava uma frase de Fernando Pessoa, que é uma das frases mais partilhada em língua portuguesa. Não haverá português que não conheça a citação, que é atribuída sistematicamente a Pessoa.

 

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No entanto, a frase não é de Pessoa, mas esta falsa atribuição generalizou-se de tal forma que uma jornalista chegou a escrever um artigo num jornal de referência onde atribuía o poema a Pessoa. Apesar dos desmentidos que se seguiram (a casa Fernando Pessoa nega perentoriamente que o poema seja do autor, a jornalista pediu desculpa pela falsa atribuição, o jornal pediu desculpa pela falha), a citação continua a circular como sendo do autor português quando, na verdade, é do blogger brasileiro Nemo Nox.

 

Mas o mundo das citações está cheio de exemplos destes. Alguns jornais e sites já se dedicaram a apanhar estas falsas atribuições das mais conhecidas citações.

 

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A frase mais conhecida de Sherlock Holmes não aparece em nenhum livro de Conan Doyle. Só começou a ser usada quando a personagem de Doyle foi adapatada ao cinema.

 

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