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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Leitura dos clássicos

Com milhares de novos livros editados anualmente no nosso país (livros de autores nacionais e estrangeiros), muitas vezes os leitores deixam-se seduzir mais facilmente pelas novidades publicadas do que pelas reedições dos clássicos da literatura. No meu caso, tenho sempre uma grande curiosidade de conhecer aquelas obras que perduraram na história da literatura, que são marcos literários mesmo quando passados mais de cem anos da sua publicação original.

 

Há um fascínio na descoberta de personagens complexas, narrativas que relevam pensamentos, pontos de vista de uma atualidade desarmante, mesmo quando o cenário, o contexto histórico é tão diferente do atual.

 

Contudo, há sempre uma obra que aguardamos ler com alguma impaciência e que após a sua leitura se releva aquém das nossas expectativas iniciais. Embora o contrário também possa acontecer. Encetar uma leitura porque se trata de um autor que achava que deveria ler e aquele livro revelar-se a porta de entrada para um universo autoral que não vou querer largar.

 

Relativamente à primeira situação, acabei há pouco o livro A Condição Humana de Malraux. Há já algum tempo que o tinha na minha lista de leituras futuras e assim acabei por o comprar e ler. As várias críticas que tinha lido sobre esta obra criaram uma expectativa na minha leitura que levou a que me sentisse, quase desde o início, defraudada. Pensando na questão geral da condição humana, nas condicionantes que nos diferenciam de todos os outros animais e nos tornam nisto, em pessoas, vi-me remetida para uma outra obra, também ela vencedora do prémio Concourt (tal como aconteceu com A Condição Humana), mas que, a meu ver, tem um efeito mais inquietante no leitor. Essa obra é As benevolentes, de que também já falei aqui no blog. E talvez seja disso que senti falta, de uma certa inquietude, que apesar de estar lá, não conseguiu atingir-me com a força que julgava necessária. Apesar de ser uma obra muito bem escrita, talvez o autor tenha usado de uma maior crueza, quase abstração, ao invés de optar por uma estratégia de maior impacto emocional, de distúrbio do leitor. A parte final do livro torna-se mais interessante, mas mesmo assim não chegou para que tenha nesta leitura uma leitura memorável, persistente no tempo.

 

Claro que esta deceção chega-me com uns certos laivos de culpa. Penso para mim que com toda a certeza não cheguei ao âmago daquele livro, não consegui captar as verdadeiras intenções do autor, ainda não tenho competências para absorver corretamente este tipo de leitura.

 

Assim, talvez faça uma releitura de Malraux daqui uns anos e talvez, o que me falta agora para ver o aclamado esplendor da obra, se me entranhe entretanto.

 

Malraux.jpg

A condição humana de André Malraux — Edição Livros do Brasil.

Edição original da obra em 1933.

 

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