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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Isto não foi só futebol

Isto não foi futebol, foi psicoterapia coletiva. Foi o melhor livro de auto-ajuda que tivemos a oportunidade de ler, a melhor life coach que algum dia poderemos consultar nesta vida.

Isto não foi futebol, foi um poema épico. Foi a jornada contada de um herói, timoneiro espiritual de um grupo, que caiu por terra quase no início do jogo, por entre lágrimas e traças poéticas, sendo vingado, numa reviravolta dramática, pelo mais feio dos patinhos (assim o julgavam), tornando-se ele próprio num novo herói improvável.

Isto não foi futebol, foi um hino contra a xenofobia, contra o racismo.

Isto não foi futebol, foi uma lição de humildade. Uma lição para aqueles que já se julgavam vencedores ainda antes de enfrentarem o seu adversário, uma lição para aqueles que se julgam os escolhidos, os donos de uma qualquer superioridade abstrata. Que nunca se esqueçam.

Isto não foi futebol, foi uma maneira de mostrar que a nossa maneira de ser e fazer também é válida, mesmo que seja mais parola, mais estridente, menos emocionante. Foi uma forma de mostrar que o caminho pode ser feito por muitas e diversas estradas, sendo que algumas delas poderão estar todas esburacadas. Foi ainda uma maneira de mostrar que a nossa parolice e estridência podem ter algum glamour à mistura.

Isto não foi futebol, foi um levantar de queixo para milhares de emigrantes subalternizados por senhores e senhoras de bem, que embora os «respeitassem», sempre os viram como cidadãos de segunda, mão-de-obra dirigida a um tipo exclusivo de trabalho.

Isto não foi futebol, foi um terramoto que terá réplicas vindouras que nos farão estremecer, mexer, correr, batalhar até à exaustão, até ao suspiro final.

 

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