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Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Homo sapiens tatuadus

No dia-a-dia dá para perceber que um número crescente de pessoas tem em si tatuagens. Considero estarmos perante uma nova idade terrestre: a idade da tatuagem. Não o digo como uma consideração negativa, apenas como uma constatação.

 

E na praia isto torna-se mais evidente. O pessoal descasca-se quase totalmente e aí mulheres de meia-idade, jovens insuspeitas, homens de família revelam tatuagens de costas inteiras de anjos, caveiras, flores e desenhos intrincados, pernas femininas tatuadas com desenhos que fazem lembrar cintos de ligas com lacinhos e rendinhas, tatuagens benfiquistas em braços rechonchudos, as batidas tatuagens tribais em braços e pernas e, claro, as frases e nomes em árabe, hebraico, chinês, japonês ou num outro tipo de língua que use na sua escrita caracteres «esquisitos».

 

Num destes dias, perplexa pelos corpos tatuados que se revelavam a cada roupa despida, cheguei a ter medo da possibilidade de ser multada por ser a única pessoa adulta na praia que não era tatuada.

 

— «Faça favor, são cinquenta euros de coima pela ausência evidente de desenhos marados no seu corpinho.»

 

Esta possibilidade luta lado a lado com uma outra: o surgimento de um esquadrão de peritos que me leve para um museu ou zoológico, para me exporem como espécime humano raro em vias de extinção.

 

O melhor é manter-me com a roupa no corpo a fim de não revelar a criminosa ausência de escritos e desenhos corporais.

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