Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quimeras e Utopias

Quimeras e Utopias

Da violência contra as mulheres

Uma rapariga de 16 anos foi violada por trinta homens no Brasil, não sendo este, nem de longe nem de perto, um caso isolado no dia-a-dia brasileiro. No entanto, esta situação que apenas consegue causar-me uma repulsa imensa não é de todo exclusiva da realidade brasileira. Por todo o mundo, em alguns países de forma mais expressiva, são violadas mulheres, adolescentes e meninas diariamente.

 

Se, de forma quase generalizada, podemos encontrar por estas bandas comentários de censura e repúdio contra as bestas que violentaram aquela mulher, encontra-se sempre um ou outro comentário que a seguir à censura expressa aplica um MAS. Este Mas vem incondicionalmente seguido de uns quantos «factos» que parecem legitimar a violência masculina. Algumas mulheres vestem-se de forma provocante, comportam-se de forma provocante, dizem coisas provocantes, em suma, exacerbam a sexualidade indomada masculina. Um homem não é de ferro. Tenta controlar-se, mas se elas o desafiam daquela forma, um homem não resiste.

 

Com este cenário, dou por mim a imaginar uma troca de papéis. Imaginem um fulano bem parecido em tronco nu, abdominais bem definidos ao léu, bracinhos musculados despidos, calcinha justa, todo gingão, falinhas a roçar o taradão. Conseguem imaginar, certo? Agora, dá para imaginar 30 mulheres juntarem-se, enlouquecidas por aquele corpinho que estava mesmo a pedi-las e abusarem sexualmente dele, violentarem aquele homem? Dá para imaginar este discurso invertido? Mulheres descontroladas pelo corpinho, pelas provocações sexuais, pela postura de um homem? 

 

Quando alguém justifica estas atitudes horrendas culpabilizando a vítima, quando a violação perpetrada por um abusador é justificada pela forma como a vítima estava vestidas, disse o que disse, comportou-se como se comportou, esse alguém está apenas a dizer duas coisas que não são nada lisonjeiras para os homens em geral:

 

Esses argumentos limitam-se a definir o homem como um ser primitivo, incapaz de resistir a impulsos básicos, um ser cuja racionalidades desvanece perante o instinto sexual, um ser domado pela violência. Em suma, um ser mais parecido com alguns espécimes que se encontram bem no início da nossa evolução, mas, definitivamente, não um ser humano, um homo sapiens;

 

Esse ser está ainda a ser classificado como alguém incapaz de sentir empatia pelos outros, alguém incapaz de ver aquela mulher, que naquele momento tenta submeter aos seus caprichos, como um ser humano, alguém com emoções, alguém racional, com sonhos e expectativas. Um ser que apenas tem capacidade para ver um objeto que pode manusear a seu bel-prazer onde, na realidade, está um ser humano, tal como ele.

 

As desculpas para estes comportamentos criminosos servem apenas para retirar qualidades, excluir capacidades, rebaixar o homem a um ser primitivo e incapaz.

 

Homens, é aí que vocês querem estar?

 

2 comentários

Comentar post